Agricultura
05
.
07
.
2023

Primeiros passos da agricultura regenerativa

Alberto Berga Monge
Diretor da AMB Consulting
A agricultura regenerativa aumenta o impacto positivo agrícola, captura CO2, melhora a biodiversidade e combate as mudanças climáticas.

A agricultura regenerativa, sistema de produção que ainda está em busca de uma definição formal ou acadêmica,  se apresenta como um modelo capaz de aumentar o impacto positivo da atividade agrícola. Fá-lo com base na captação de CO2 e fixação no solo, aumentando a sua fertilidade e favorecendo a biodiversidade.

Dentro deste sistema de produção existem várias dezenas de práticas agrícolas, entre as mais comuns encontramos muitas que não podemos dizer que sejam novas, tais como:

  • Coberturas vegetativas que podem ser vivas (vegetação espontânea ou não) ou inertes (resíduos vegetais).
  • Adubação orgânica, baseada em esterco, composto e resíduos vegetais.
  • Pastejo planejado por rotação, equilibrando o crescimento da produção vegetal ou aumentando a fertilidade do solo. várias colheitas em áreas próximas para obter maiores rendimentos.
  • Não lavrar a terra, mantendo a estrutura do solo.

A novidade reside na sua aplicação em determinados contextos produtivos em que não eram utilizados anteriormente.

Embora nem todos possam ser aplicados a todas as culturas e/ou contextos.

Por exemplo, a impossibilidade de manter as coberturas vegetais vivas durante os meses de seca. No entanto, as culturas podem ser cobertas com restolho. A chave é adaptar as práticas regenerativas com flexibilidade, buscando alternativas para diferentes cultivos.

O meio ambiente se beneficia da agricultura regenerativa ao capturar CO2 da atmosfera e armazenar esse carbono no solo, mecanismo essencial na luta contra as mudanças climáticas. Além disso, a agricultura regenerativa aumenta a biodiversidade dos ecossistemas, favorecendo processos biológicos tão essenciais como a polinização, e também aumenta o uso da água, uma vez que o solo é capaz de retê-la melhor.

Permite aos produtores aumentar a sua competitividade com custos mais baixos e também pela abertura de novos mercados que antes não atingiam.

Com a agricultura regenerativa, da qual existem várias experiências em curso, é a primeira vez que se passa da redução das externalidades negativas da agricultura para a geração de externalidades positivas.

Imagem: Solo de palhada em em platação de soja em Bagé – RS.