Este espaço é para quem quer saber sobre o que há de mais novo e polêmico sobre alimentos, alimentação, nutrição e gastronomia. Aqui se mostra diferentes pontos de vista e coloca-se em xeque ideias de senso-comum que são dissecadas com evidências científicas. Escrito por uma irriquieta e inconformada pessoa que vê a alimentação por diversos pontos de vista.
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A crítica gastronômica nas redes migrou do elogio constante para uma postura mais dura, vista como sinal de autenticidade. No entanto, o algoritmo favorece conteúdos extremos, incentivando críticas mais performáticas do que analíticas. Entre publicidade disfarçada e demolição exagerada, a verdadeira credibilidade continua sendo difícil de construir.
A decisão judicial envolvendo a campanha da Intermarché reacende o debate sobre os limites entre publicidade criativa e comunicação enganosa. Mais do que o produto em si, o caso evidencia como a alimentação hoje é também construída por narrativas e interpretações. Nesse contexto, comer não é apenas consumir, mas também decifrar histórias sobre o que está no prato.
Menos da metade das empresas usa informação de forma consistente na comunicação de alimentos, mesmo com tantos dados disponíveis. Isso cria um paradoxo: mais informação não significa necessariamente melhores escolhas, mas sim narrativas moldadas por interesses outros.
Carragenanas são extratos de algas vermelhas usados como espessantes, mas nomes técnicos despertam desconfiança exagerada. O risco real é mínimo, mas a percepção pública se molda mais pelo nome e narrativa do que por evidência científica.
Algodão doce sem açúcar e hambúrgueres vegetais que imitam carne seguem a mesma lógica: preservar a experiência sensorial mesmo sem o ingrediente original. Substitutos químicos e fórmulas sofisticadas mantêm sabor e textura, mas também levantam questões sobre nossos hábitos e desejos. Enquanto alguns têm acesso a prazeres sofisticados, muitos ainda enfrentam insegurança alimentar.
O camembert, ícone da tradição francesa, agora destaca o teor de proteínas em sua versão leve, quase americanizando sua comunicação. Isso levanta a dúvida: seria uma resposta à queda do consumo de laticínios ou apenas uma jogada de marketing? No fim, o queijo não é mais só sabor e textura — é também narrativa, informação e tendência de consumo.