A Itália acaba de reforçar sua estratégia de valorização da sustentabilidade com o programa Made Green in Italy, um selo oficial que certifica produtos com melhor desempenho ambiental com base em uma metodologia reconhecida pela União Europeia.
A iniciativa demonstra que a sustentabilidade deixa de ser apenas um compromisso assumido pelas empresas para se transformar em um critério mensurável, comparável e verificável ao longo da cadeia produtiva.
Criado pelo Ministério do Meio Ambiente e da Segurança Energética da Itália, o programa utiliza a metodologia Product Environmental Footprint (PEF), desenvolvida pela Comissão Europeia para avaliar os impactos ambientais de um produto durante todo o seu ciclo de vida.
A análise considera diferentes indicadores, como emissões de gases de efeito estufa, consumo de recursos naturais, uso da água, ocupação do solo e outros aspectos relacionados à produção, ao processamento, ao transporte e ao descarte.
Ao contrário de declarações ambientais genéricas, o Made Green in Italy estabelece critérios técnicos que permitem comparar produtos pertencentes à mesma categoria, oferecendo às empresas uma forma padronizada de demonstrar seu desempenho ambiental.
A adesão é voluntária, mas a certificação pode representar um diferencial competitivo em um mercado cada vez mais atento às questões ambientais.
A iniciativa italiana soma-se a outros movimentos observados na Europa. Como abordamos recentemente no blog da Verakis, a França também avança na construção de um sistema de etiquetagem ambiental para alimentos, voltado à informação do consumidor.
Embora os modelos sejam diferentes — um baseado em certificação e outro na comunicação ambiental diretamente nas embalagens — ambos refletem a mesma tendência: tornar o impacto ambiental dos alimentos cada vez mais transparente.
Essas iniciativas mostram que a sustentabilidade passa a integrar a própria forma de comunicar e valorizar os alimentos. Para a indústria agroalimentar, isso significa incorporar metodologias robustas de avaliação ambiental e transformar informações técnicas em atributos capazes de gerar confiança, diferenciação e competitividade.
Ainda é cedo para afirmar como esses sistemas serão adotados em larga escala ou como evoluirão nos próximos anos. No entanto, fica cada vez mais evidente que a transparência ambiental tende a ocupar um espaço semelhante ao conquistado, nas últimas décadas, pela informação nutricional e pela rastreabilidade dos alimentos.
Fontes:
- Ministério do Meio Ambiente e da Segurança Energética da Itália – Made Green in Italy
- Normattiva – Decreto n.º 56, de 21 de março de 2018 (Made Green in Italy).
- Great Italian Food Trade – Made Green in Italy: marchio di sostenibilità.
Imagem : Magnfic



