O Nutri-Score está rapidamente se consolidando como o principal instrumento para promover escolhas alimentares saudáveis, especialmente entre populações de baixa renda, graças à sua eficácia, aceitação e legitimidade institucional amplamente reconhecidas.
Diante do aumento exponencial da obesidade e das doenças crônicas relacionadas à dieta, políticas alimentares preventivas estão se tornando prioridade em todo o mundo. Enquanto intervenções tradicionais, como campanhas educativas, têm impacto limitado, medidas como taxação de alimentos podem ser injustas ao sobrecarregar economicamente os mais vulneráveis
Um recente estudo conduzido na Itália com 810 cidadãos de baixa renda (Caso et al., 2025) evidenciou um apoio significativo dessas populações vulneráveis ao Nutri-Score, único sistema de rotulagem nutricional frontal validado pela ciência internacional, adotado oficialmente em oito países europeus e amplamente utilizado por consumidores via aplicativos como Yuka e OpenFoodFacts.
Esse dado destaca a importância do apoio social para a eficácia das políticas de saúde pública, especialmente considerando a escassez de pesquisas sobre as percepções de grupos vulneráveis em relação a ferramentas de estímulo comportamental.
Em um contexto de aumento da pobreza alimentar (Eurostat, 2025), explosão das taxas de obesidade em adultos (38% na UE; World Obesity Federation, 2023) e crescimento do impacto das doenças crônicas não transmissíveis nos orçamentos públicos (8,4%; OECD, 2019), cresce a discussão sobre a necessidade de adoção obrigatória e harmonizada do Nutri-Score por parte da Comissão Europeia e dos Estados-membros.
Apesar de sua crescente aceitação por países e instituições – como a OCDE – e do forte apoio de profissionais de saúde, o Nutri-Score ainda enfrenta resistência política e econômica em alguns contextos, inclusive na Itália, por causa da defesa de produtos tradicionais e de interesses econômicos locais.
Por exemplo, alimentos tradicionais como azeite de oliva recebem notas intermediárias, enquanto produtos ultraprocessados com adoçantes podem ser bem avaliados, levantando questionamentos sobre o equilíbrio entre simplificação informacional e a complexidade das escolhas alimentares em contextos culturais diversos.
Outro ponto crítico levantado, é que o Nutri-Score opera com base em 100g de produto, que pode gerar classificações que não refletem o consumo real ou o equilíbrio nutricional dentro da dieta mediterrânea, além de possíveis interpretações equivocadas por parte dos consumidores.
Ampliar os estudos para diversos contextos socioculturais e investir em comunicação clara são caminhos essenciais para garantir que o sistema alcance resultados positivos, de forma equitativa e sustentável.
Fonte: FoodTimes – “Italia, le fasce vulnerabili sostengono il Nutri-Score”, 2025; ITS Agroalimentare – “Nutri-Score nel 2025: stop dell'UE e nuove sfide per l'etichettatura”, 2025.
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