A França vem construindo uma visão integrada para alimentação, nutrição e clima, reunida na Stratégie nationale pour l’alimentation, la nutrition et le climat (SNANC).
Criada após a lei Climat et Résilience, a SNANC propõe que pensar em alimentação não seja apenas uma questão de dieta ou cultura, mas também de saúde pública, meio ambiente e justiça social.
A estratégia busca alinhar a produção, o consumo e a escolha alimentar com objetivos de redução de emissões, promoção de dietas mais saudáveis e diversificadas, proteção da biodiversidade e fortalecimento da resiliência territorial. Ao mesmo tempo, visa garantir que todos, independentemente da região ou da renda, tenham acesso a alimentos de qualidade.
A SNANC atua em diferentes frentes e iincentiva ambientes alimentares mais saudáveis, como escolas, restaurantes coletivos e mercados públicos, e estimula mudanças nos hábitos de consumo, favorecendo padrões mais vegetais e menos emissivos.
Para isso, se articula com políticas já existentes, como o Programa Nacional para a Alimentação (PNA) e o Programa Nacional Nutrição-Saúde (PNNS), e com iniciativas locais como os Projetos Alimentares Territoriais (PAT). Ainda que ambiciosa, a estratégia também é alvo de debate: organizações pedem metas mais concretas sobre consumo de carne, publicidade de alimentos ultraprocessados e desigualdades de acesso.
Mais do que um plano teórico, a SNANC se traduz em ações concretas por meio do convocatória de projetos anual. Para 2025‑2026, o governo francês lançou uma convocatória que financia iniciativas alinhadas aos objetivos da estratégia. O AAP apoia tanto PAT emergentes quanto projetos inovadores que podem ser replicados em novos territórios (“essaimage”), estimulando soluções locais que dialoguem com políticas nacionais. Os projetos selecionados recebem financiamento e suporte técnico para implementar ações que promovam alimentação saudável, sustentabilidade e inclusão social.
Essa articulação entre estratégia nacional e chamadas de projetos mostra que a SNANC não é apenas uma diretriz abstrata. Ela cria oportunidades reais para transformar territórios, apoiar agricultores, envolver escolas e coletivos, e integrar saúde, nutrição e clima de forma concreta. Para quem trabalha com sistemas agroalimentares, a SNANC e o AAP ilustram caminhos possíveis para desenvolver iniciativas locais que contribuam para um futuro alimentar mais resiliente, saudável e sustentável.
Fonte : Snanc
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