A forma como os alergênicos são geridos na indústria de alimentos está mudando de eixo. Um tema historicamente tratado com base em precaução e mensagens amplas de alerta começa agora a ser reinterpretado à luz de parâmetros científicos mais precisos.
No centro dessa evolução está o trabalho do Codex Alimentarius, desenvolvido pela FAO e pela OMS, que avança na definição de doses de referência para diferentes alergênicos.
Em vez de uma lógica binária — presença ou ausência — passa a ganhar espaço uma abordagem que considera níveis quantitativos associados ao risco real de reação na população sensível.
O impacto desta mudança vai além da terminologia técnica. Ao introduzir valores de referência, abre-se caminho para uma leitura mais fina do risco, permitindo diferenciar situações de perigo efetivo de cenários onde a probabilidade de reação é extremamente baixa.
Até então a rotulagem preventiva do tipo “pode conter” foi amplamente utilizada como ferramenta de proteção. Com a evolução das referências científicas, esse modelo começa a ser questionado pela sua falta de precisão, que pode gerar um excesso de alertas pouco diferenciados.
Do ponto de vista industrial, esta transição implica um reforço significativo dos sistemas de controlo. Gestão de risco, rastreabilidade e monitorização de contaminações cruzadas tornam-se mais exigentes, mas também mais estruturados, com base em critérios comparáveis a nível internacional.
Ao mesmo tempo, a harmonização promovida pelo Codex abre espaço para uma maior coerência entre mercados, reduzindo divergências regulatórias e facilitando o comércio internacional de alimentos.
O que se desenha, no fundo, não é apenas uma atualização de normas, mas uma mudança de lógica: da prevenção generalizada para uma gestão de risco alimentada por dados e evidência científica.
Fonte : Food Times (2026), com base nos trabalhos científicos da FAO/OMS sobre avaliação quantitativa de risco de alergênicos (Codex Alimentarius – Joint FAO/WHO Expert Consultation on Food Allergens).
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