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2026

Food 2040 começa a desenhar o futuro da alimentação europeia

A Comissão Europeia iniciou a construção do FOOD 2040, uma agenda estratégica que ajudará a definir as prioridades europeias de pesquisa e inovação para os sistemas alimentares. Resiliência, sustentabilidade, saúde, novas fontes de proteína, digitalização e redução do desperdício estão entre os temas identificados durante a consulta realizada com diferentes atores do setor. O processo mostra como ciência e inovação deverão participar das transformações que definirão a alimentação europeia nas próximas décadas.

A Europa já começou a discutir como pretende produzir, consumir e inovar no setor agroalimentar nas próximas décadas; o "Building FOOD 2040" é uma iniciativa da Comissão Europeia destinada a reunir diferentes atores do sistema alimentar para contribuir para a construção da próxima agenda estratégica europeia de pesquisa e inovação em sistemas alimentares.

O ponto de partida é uma constatação importante: os desafios relacionados à alimentação já não podem ser tratados de forma isolada. Produção agrícola, saúde, nutrição, mudanças climáticas, biodiversidade, tecnologia, economia e comportamento dos consumidores estão ligados. Por isso, o "FOOD 2040" procura reunir diferentes perspectivas para identificar onde a pesquisa e a inovação poderão fazer diferença nos próximos anos.

A consulta realizada pela Comissão Europeia reuniu 631 participantes e 63 contribuições escritas de pesquisadores, agricultores, empresas, autoridades públicas, organizações da sociedade civil e outros atores envolvidos nos sistemas alimentares.

O objetivo não foi simplesmente prever quais tecnologias estarão disponíveis em 2040, mas identificar quais transformações serão necessárias para construir sistemas alimentares mais resilientes, sustentáveis, saudáveis e competitivos.

Entre as prioridades apontadas estão o fortalecimento da resiliência diante de crises climáticas, econômicas e geopolíticas; a redução dos impactos ambientais da produção e do consumo; a promoção de dietas mais saudáveis; a redução das perdas e do desperdício de alimentos; a diversificação das fontes de proteína; o uso mais eficiente dos recursos naturais; e o desenvolvimento de soluções digitais capazes de melhorar a gestão e a rastreabilidade das cadeias alimentares.

A inovação também aparece associada a uma questão menos tecnológica, mas fundamental: a capacidade de transformar conhecimento científico em soluções utilizadas na prática.

Para a agricultura e a indústria alimentar, desenvolver uma nova tecnologia ou processo é apenas uma etapa. É preciso que essas soluções sejam economicamente viáveis, possam ser adotadas pelos diferentes atores da cadeia e produzam resultados concretos.

Essa preocupação aproxima o "FOOD 2040" de uma visão mais ampla dos sistemas alimentares. Digitalização, novas fontes de proteína, agricultura regenerativa, bioeconomia circular, rastreabilidade e utilização de dados não são tratados como tendências independentes, mas como partes de uma transformação que envolve produtores, indústria, distribuição, consumidores, pesquisadores e poder público.

O processo também mostra a importância que a União Europeia atribui à pesquisa e à inovação para construir sua autonomia e sua capacidade de adaptação. As crises recentes demonstraram que a segurança alimentar depende não apenas da disponibilidade de alimentos, mas também da capacidade de produzir, transformar, transportar e acessar matérias-primas e tecnologias em um ambiente internacional instável.

O "FOOD 2040" ainda não é uma estratégia final para o sistema alimentar europeu. É uma etapa de construção, baseada justamente na contribuição dos diferentes atores que participam desse sistema. O que está sendo desenhado agora ajudará a definir quais conhecimentos, tecnologias e soluções receberão atenção e investimentos europeus nos próximos anos.

Olhar para 2040 significa, portanto, olhar para as escolhas que começam a ser feitas hoje.

A forma como a Europa financiará a pesquisa, apoiará a inovação e aproximará ciência e mercado poderá influenciar não apenas o que será produzido e consumido no futuro, mas também a capacidade do sistema alimentar europeu de enfrentar as transformações que já estão em curso.

Fonte: Comissão Europeia, Building FOOD 2040: Stakeholder input for the new EU Strategic Research and Innovation Agenda for Food Systems, 2026.