
Em 1º de maio de 2026, Amsterdam vai experimentar um gesto inédito: proibir publicidade de carne em espaços públicos, junto com anúncios de combustíveis fósseis e viagens de avião.
Não é um ataque à culinária nem uma lei moralista, mas uma intervenção direta do poder público sobre o que vemos e consumimos nas ruas.
A intenção é clara: reduzir a exposição da população a certos produtos. Mas a medida levanta questões maiores: por que certos alimentos são tratados como problema a ser exibido, enquanto outros — nem sempre menos impactantes — continuam em destaque? Não é sobre demonizar carne ou abraçar o veganismo, é sobre quem decide o que merece publicidade e o que não merece.
Se existe alimento “bom” e alimento “mal”, quem traça essa linha?
Quem decide que um produto merece ser exaltado enquanto outro deve ser invisível?
Ao criar categorias de alimentos aceitáveis e proibidos na propaganda, não corremos o risco de transformar escolhas complexas em mitos simplistas, reforçando preconceitos e atalhos culturais que nem sempre têm relação com ciência ou nutrição real?
Ao retirar carne dos murais da cidade, Amsterdam provoca reflexão: não apenas sobre hábitos de consumo, mas sobre o poder da publicidade em moldar percepções, normalidades e até julgamentos sobre o que é aceitável comer. Talvez a discussão mais interessante não seja “comer carne é bom ou ruim”, mas quem decide quais alimentos merecem espaço público e quais devem permanecer invisíveis.
Fonte : https://proveg.org/press-release/amsterdam-to-become-first-capital-city-to-ban-meat-advertising
Imagem: Freepik
