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Fundação Verakis

A França também se come pelas marcas

Algumas marcas alimentares francesas acompanham consumidores há décadas ou até séculos. De Anis de Flavigny, criada em 1591, a marcas como LU, Bonduelle, La Vache qui rit, Panzani, Carambar e Bonne Maman, suas histórias também acompanham a evolução dos hábitos alimentares franceses. Conhecer essas marcas é também descobrir uma parte da história da alimentação na França.

A França também se come pelas marcas

Quando pensamos em patrimônio alimentar francês, é fácil imaginar queijos, vinhos, pães, doces, receitas regionais e produtos ligados a determinados territórios.

Mas há outra parte dessa história que está espalhada pelas prateleiras dos supermercados: as marcas.

Algumas estão presentes na vida dos franceses há décadas. Outras atravessaram mais de um século. E algumas têm uma história que começa muito antes daquilo que hoje chamamos de indústria alimentar.

Um levantamento publicado pelo Pour nourrir demain reúne marcas francesas criadas entre 1591 e 2000 e mostra uma coisa curiosa: certas marcas sobreviveram a mudanças profundas nos modos de produzir, distribuir e consumir alimentos. (pour-nourrir-demain.fr)

A mais antiga da lista é a Anis de Flavigny, cuja história remonta a 1591. A pequena bala de anis continua sendo produzida em Flavigny-sur-Ozerain, na Borgonha, e mantém uma identidade diretamente associada ao território onde nasceu.

Depois aparecem outras marcas que talvez sejam mais familiares ao consumidor contemporâneo.

Maille, por exemplo, remonta a 1747. A história da marca está ligada à mostarda e à antiga tradição dos mostardeiros de Dijon.

LU nasceu em Nantes em 1846, inicialmente com os biscoitos produzidos pela família Lefèvre-Utile. A marca atravessou gerações e acabou se tornando uma das referências mais conhecidas da indústria de biscoitos francesa.

Bonduelle começou em 1853, com uma atividade agrícola no norte da França, antes de se transformar em um grande grupo de produtos vegetais.

La Vache qui rit surgiu em 1921. Seu personagem tornou-se tão reconhecível que, em muitos casos, basta olhar para a embalagem para identificar imediatamente o produto.

E a lista continua: Panzani, criada em 1940; Carambar, em 1954; Ducros, em 1963; Yoplait, em 1965; Danette, em 1970; Bonne Maman, em 1971; Picard, cuja história como marca de alimentos congelados se consolidou nos anos 1970; Bjorg, em 1988; e Sojasun, em 1988.

Outras marcas mais recentes também aparecem no levantamento, mostrando que o patrimônio de uma marca não depende necessariamente de ter alguns séculos de existência. O que importa é sua permanência e sua capacidade de se instalar no cotidiano dos consumidores. (pour-nourrir-demain.fr)

Há algo interessante nessa lista.

Ela conta, ao mesmo tempo, a história de produtos e a história dos hábitos alimentares franceses.

Mostarda, biscoitos, conservas, massas, doces, produtos lácteos, congelados, alimentos vegetais: cada geração acrescentou novas categorias às prateleiras.

Algumas marcas permaneceram praticamente fiéis ao seu produto original. Outras ampliaram enormemente seus portfólios. Algumas mudaram de proprietários, foram incorporadas a grandes grupos ou passaram por transformações importantes.

Mas continuam reconhecíveis.

E talvez seja justamente isso que explique a presença de determinadas marcas na memória alimentar.

Elas não ficaram paradas no tempo.

Continuaram sendo compradas, anunciadas, oferecidas às crianças, levadas para casa e colocadas sobre a mesa.

Uma marca alimentar também pode ser uma testemunha do cotidiano.

E quatro séculos de história mostram que a França não construiu sua cultura alimentar apenas através de receitas e produtos regionais.

Também a construiu através das marcas que acompanharam gerações de consumidores.

E você? Conhece marcas centenárias além da Nestlé e da Danone?

Fonte: Pour nourrir demain, Les marques qui racontent le patrimoine alimentaire français, de 1591 à 2000.