
Que cada um saboreie este conto como queira ou como possa: uns se deliciando, outros cogitando, outros pasmos, outros relembrando, outros compartilhando, outros questionando…
Eu quis compartilhar este conto porque me fez pensar que a alimentação tem que continuar assim: gostosa, cheia de fantasias…
Juliana T. Grazini dos Santos
A história
A dieta do Pai Natal
Fabrice Lelarge e Anne-Marie Frisque
“– Pai Natal, estás muito gordo! – avisou o Dr. Xarope, o duende-médico.
Em cima da balança, o Pai Natal olhava fixamente o ponteiro que parava nos 176 quilos.
– Eu sempre tive este peso – protestou ele em voz baixa. – Mesmo bebé já pesava 176 quilos. É um peso de família, que passa de pais para filhos...
– Não digas disparates! – zangou-se o Dr. Xarope. – Vais ter de fazer dieta. Uma dieta rigorosa. Desporto e alimentação saudáveis porão fim a esse excesso de peso.
– Uma… uma dieta? – alarmou-se o Pai Natal.
– Imediatamente! – respondeu o Dr. Xarope.”
A dieta rigorosa
O Pai Natal teve de seguir regras muito estritas:
Pequeno-almoço: meia tosta e um grande copo de água
Almoço: três feijões-verdes¹, uma espinha de peixe cozida, um grande copo de água. Sobremesa: metade de um caroço de maçã
Lanche: um grande copo de água
Jantar: seis pequenas ervilhas e uma cabeça de peixe cru. Sobremesa: a outra metade do caroço de maçã
Exercícios físicos: musculação de manhã com um grande duende forte, judo à tarde com outro duende, e à noite caminhada sobre raquetas pela neve do Pólo Norte com um duende-esquimó.
Domingos (dias de festa):
Pequeno-almoço: uma tosta inteira demolhada em leite frio
Almoço: quatro feijões-verdes, uma asa de frango depenada e cozida, um grande copo de água. Sobremesa: caroço de uma maçã inteira
Lanche: um grande copo de leite frio
Jantar: doze pequenas ervilhas, a outra asa de frango cozida, um grande copo de água. Sobremesa: casca de metade de uma maçã
Em três semanas, o Pai Natal perdeu 102 quilos. Seu fato vermelho tornou-se largo, substituído por um verde-escuro emprestado por um duende alto, e até sua barba branca caía miseravelmente sobre a barriga lisa.
“– Não faças essa cara, Pai Natal – ralhou o Dr. Xarope. – Estás fantástico! Vai dar um passeio no trenó, para mudares de ideias. O ar livre vai-te fazer bem, vais ver!
– Se tu o dizes... – murmurou o Pai Natal, muito triste.”
Corrida contra o tempo
Mesmo ajudado pelo duende-médico, as renas se recusaram a mover o trenó até que o Pai Natal recuperasse seu peso e o fato vermelho. Em apenas sete dias, ele devorou:
- Bolos de creme cobertos de chantilly
- Bombons e gelados²
- Piza⁴ e puré⁵
- Bananas cobertas de mel
- Salame³ e queijos variados
- Esparguete, patés⁶ e outros manjares
Na véspera de Natal, com o trenó pronto e as renas reconhecendo-o imediatamente, o Pai Natal fez sinal ao Dr. Xarope:
“– Pesei-me antes de me arranjar – disse-lhe – …181 quilos!
– Pai Natal, estás muito gordo!
– Não estou nada, farei uma dieta quando regressar! Ho ho hoooo! Vamos embora, minhas amigas!”
O Dr. Xarope olhou para o trenó a subir ao céu e perguntou-se se o Pai Natal não estaria a brincar com ele. Eu sei a resposta… E vocês?
FIM
Referência do livro
Lelarge, Fabrice; Frisque, Anne-Marie. Contos de Natal. Tradução: Maria de Lurdes Correia. Porto: Civilização, 2003. 62 p.
Título original: Reconte-moi Noël.
Notas de tradução:
¹ Vagem (Brasil)
² Sorvete (Brasil)
³ Salame (Brasil)
⁴ Piza (Portugal)
⁵ Puré (Portugal)
⁶ Patés (Portugal)