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2026

Feijão, lentilha, grão‑de‑bico — alimento e cultura em expansão

Leguminosas como feijão e lentilha são celebradas mundialmente não apenas por seus nutrientes, mas por sua história, cultura e papel na sustentabilidade. Enquanto alimentos ultraprocessados dominam escolhas e prateleiras, reconhecer o valor desses grãos é um lembrete de que comida é prática cultural tanto quanto biologia nutricional. O Dia Mundial das Leguminosas nos convida a repensar o que valorizamos no nosso prato e por quê.

Castilla y León, na Espanha, foi escolhida como sede do Dia Mundial das Leguminosas das Nações Unidas, World Pulses Day, comemorado todo 10 de fevereiro, uma celebração que vai bem além de meros números nutricionais.  Leguminosas — feijão, lentilha, grão‑de‑bico, ervilha — são itens corriqueiros na despensa de muitas culturas, mas também pilares de histórias de sobrevivência, sabedoria popular e práticas agrícolas sustentáveis.

Nutricionalmente, elas são ricas em proteínas vegetais, fibras, vitaminas e minerais. Agricultores as valorizam porque fixam nitrogênio no solo, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos e fortalecendo ciclos produtivos mais resilientes.  Mas o que torna a celebração realmente instigante é a dimensão cultural e histórica: leguminosas não são “comida funcional” de moda, nem promessa de performance atlética. Elas são alimento de comunidades, de mesas completas e de tradições que atravessaram séculos.

É curioso observar como, em pleno século XXI, somos capazes de decretar um “dia mundial” para um grupo alimentar que foi, durante milênios, sinônimo de sabedoria prática de sobrevivência — um alimento que sustentou povos inteiros muito antes de termos nutrição pré‑fabricada, diet boxes ou claims sofisticados. Leguminosas representam saúde, sustentabilidade e história, não apenas um rótulo nutricional.

Ao mesmo tempo, essa celebração nos convida a pensar criticamente sobre as contradições do nosso tempo: vivemos num mundo em que os produtos ultraprocessados dominam as prateleiras, enquanto alimentos simples, densos em história e significado, lutam por atenção e valorização. Fazemos campanhas de nutrição e rotulagem, mas muitas vezes perdemos de vista que comer é também uma prática sociocultural, não apenas uma transação de nutrientes.

O Dia Mundial das Leguminosas é, portanto, mais do que um evento setorial: é um lembrete de que comida não é apenas substância, é identidade, memória e sustentabilidade — e que, talvez, parte da solução para sistemas alimentares mais equilibrados esteja justamente em voltar a olhar para o que sempre esteve à nossa volta, em vez de buscar novidades efêmeras.

Fonte principal

Castilla y León será sede do Dia Mundial das Leguminosas das Nações Unidas, destacando a importância desse grupo alimentar para nutrição, cultura e sustentabilidade.