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2026

Quem conta a história dos alimentos?

Os Citrinos do Algarve IGP receberam jornalistas europeus para apresentar de perto a realidade da produção e fortalecer a comunicação com os mercados internacionais. A iniciativa mostra que informar também é uma forma de valorizar um setor, oferecendo contexto para além das campanhas promocionais. Em tempos de excesso de informação, aproximar jornalistas da realidade da produção pode contribuir para um debate alimentar mais qualificado.

Quando falamos em comunicação no setor agroalimentar, pensamos quase sempre em publicidade, campanhas ou embalagens. Mas existe outra forma de comunicar que talvez seja ainda mais importante: aproximar quem produz de quem informa.

Foi exatamente essa a proposta de uma iniciativa recente dos Citrinos do Algarve IGP. Em vez de apresentar apenas números ou lançar uma campanha promocional, a associação AlgarOrange recebeu jornalistas e influenciadores europeus para conhecerem a realidade da produção, visitarem pomares, conversarem com produtores e compreenderem o contexto por trás do produto.

A ação faz parte de uma estratégia para reforçar a presença dos citrinos algarvios nos mercados europeus, mas também revela uma preocupação crescente com a qualidade da informação que chega ao consumidor.

Esse movimento nos remete ao tema que abordamos há algumas semanas, quando comentamos a iniciativa do setor citrícola espanhol de produzir um relatório sobre desinformação alimentar. Naquela ocasião, discutimos como os alimentos passaram a disputar narrativas.

Agora, vemos outro caminho possível: investir na formação e no acesso à informação daqueles que irão contar essas histórias.

Não se trata de convencer jornalistas de que um produto é melhor do que outro. Trata-se de oferecer contexto. E contexto faz diferença.

A alimentação tornou-se um dos temas mais debatidos da atualidade. Saúde, ambiente, tecnologia, produção, bem-estar animal, comércio internacional, inovação... cada notícia traz consigo diferentes interesses, diferentes interpretações e diferentes níveis de complexidade. Nesse cenário, esperar que um jornalista compreenda sozinho todas essas dimensões é pouco realista.

Quanto maior o acesso a informações qualificadas, a visitas de campo e ao contato direto com pesquisadores e produtores, maior a possibilidade de uma cobertura mais completa. Isso não elimina o senso crítico nem transforma informação em promoção. Pelo contrário: amplia a capacidade de fazer perguntas melhores e produzir reportagens mais consistentes.

Talvez essa seja uma das lições mais interessantes dessas iniciativas. Valorizar um setor não significa apenas divulgar seus produtos. Significa criar condições para que eles sejam compreendidos.